Em tempos de crise, coloca-se a questão acerca da arquitetura geral do sistema jurídico. A crise financeira mundial e com ela a pior crise econômica desde a Segunda Guerra Mundial tiveram suas causas em questões acerca da concepção de sociedades, contratos e mercados. Entre direito societário e direito dos mercados ou direito dos contratos se encontra também o mais recente e proeminente campo individual do direito privado (eventualmente ao lado do direito do consumidor), formado mundialmente nos últimos cinquenta anos: o direito dos mercados de capitais. Sua formação representa uma das mais profundas e incisivas mudanças estruturais no direito empresarial desde a Segunda Guerra Mundial: a passagem de um empresariado, que em muitos países atuava primariamente por meio de capital externo, a um empresariado para o qual o capital próprio se tornou absolutamente central – financeiramente, mas também para a imagem pública da empresa. Em termos jurídicos: para o direito societário, enquanto direito da organização e coração do direito empresarial, entrou – como um segundo ramo – o direito de mercado de capitais, hoje peça central do direito societário externo nas grandes empresas, estando ambos cada vez mais conectados materialmente no chamado direito das empresas cotadas em bolsas de valores.

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