A análise dos textos que retratam a evolução da estrutura e da função da família brasileira demonstra que durante a vigência de sua feição patriarcal – preponderante no século XIX – a responsabilidade dos pais – entendida simplesmente como atribuição de tarefas e não em seu sentido jurídico – era cumprida por meio de uma clara divisão de funções por gênero. À mãe cabia a administração dos cuidados pessoais, enquanto sobre o pai recaía o encargo do sustento, à maneira da organização social e jurídica da época. O cuidado era uma obrigação típica do sexo feminino, situação fomentada pela medicalização das famílias ocorrida no Brasil Império. A irresponsabilidade do pai era socialmente aceita e juridicamente ratificada pelo afastamento dos filhos adulterinos e incestuosos, tendo perdurado de maneira quase inabalável enquanto robustecidos os valores referentes ao patrimonialismo.

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